O pacto eterno: da promessa à cruz
Tema: A Morte de Jesus: Cumprimento do Pacto de Sangue com Abraão
Texto introdutório: 2Pedro 3.9
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”
Introdução
Deus está em missão: a missão de resgatar e salvar os pecadores. Desde o Éden, o homem se tornou pecador, e foi destituido da Glória de Deus. O pecado trouxe consequências danosas no relacionamento entre a raça humana e seu criador. Ainda assim, Deus ama a sua criação. Deus é amor (João 4.8), mas Deus também é santo, perfeitamente santo (Levítico 11.44). Esses dois atributos da sua natureza divina (amor e santidade), embora pareçam contraditórias, são perfeitamente existente e perfazem as condições para a nossa inteira salvação. Deus amou tanto o mundo, que foi capaz de realizar um sacrifício de alto preço para nos resgatar (João 3.16). A santidade perfeita de Deus exige, por outro lado, que nenhum pecado, por menor que seja, fique impune diante Dele.
Os pactos de sangue, estão presentes na história da humanidade desde o princípio dos tempos. Na antiguidade, eram tratados com extrema seriedade. Essas alianças envolviam sacrifícios de animais e até seres humanos e eram consideradas irrevogáveis. Hoje compreenderemos como a morte de Jesus cumpre plenamente o pacto de sangue que Deus estabeleceu com Abraão, revelando Sua fidelidade e Seu propósito eterno de redenção. Para nós, cristãos contemporâneos, essa mensagem traz profundas implicações sobre como devemos viver nosso relacionamento com Deus.
Para ser um cristão autêntico nestes dias…
1. Viva em obediência à direção de Deus (Gênesis 12.1-3)
“Sai da tua terra… e vai para a terra que te mostrarei.” Deus mostrou à Abrão, uma direção, um propósito. Tudo começa quando obedecemos à vontade do Senhor para as nossas vidas.
“A obediência a Deus é a chave para experimentar Suas maiores bênçãos.” – Charles Stanley
Deus chamou Abraão para deixar sua terra e sua família, dando-lhe uma promessa que consistia em três partes fundamentais:
- Promessa pessoal: Torná-lo uma grande povo, uma grande nação.
- Promessa relacional: Torná-lo uma bênção para outras pessoas e nações.
- Promessa universal: “em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
Estas promessas envolviam bênção pessoal, proteção divina e impacto mundial. Para o cristão pós-moderno viver estas promessas significa:
- Atender com prontidão ao chamado de Deus, agindo com fé, mesmo quando o caminho não está totalmente claro.
- Crer na fidelidade de Deus, mantendo a confiança em Suas promessas, especialmente nos momentos incertos e desafiadores.
- Tornar-se um canal de bênção, permitindo que Deus abençoe outras pessoas através de sua vida, testemunho e ações.
“A obediência é o caminho mais curto entre você e a promessa de Deus.” – Rick Warren
Para ser um cristão autêntico nestes dias…
2. Reconheça a seriedade dos pactos (Hebreus 9.22)
Na antiguidade, pactos de sangue representavam compromissos de vida ou morte. Diversas culturas antigas realizavam pactos dessa natureza:
- Na cultura mesopotâmica, pactos eram selados com sangue para garantir alianças entre reinos.
- Os antigos egípcios utilizavam sacrifícios sangrentos em cerimônias de pacto, garantindo proteção divina.
- Entre tribos africanas, pactos de sangue garantiam irmandade e fidelidade absoluta entre grupos.
- Aqui na América, Incas, Maias e outras tribos tinham seus rituais de pactos de sangue para conseguir o “favor” dos seus deuses.
Ainda hoje, religiões de origem afro e algumas práticas ocultistas realizam pactos de sangue, criando vínculos espirituais que geram consequências espirituais profundas. Esses pactos criam legalidades no mundo espiritual que podem afetar a vida das pessoas envolvidas. E são pactos geracionais, isto é, trazem influência sobre várias gerações posteriores.
A Bíblia relata alguns pactos de sangue. No entanto, o pacto realizado entre Deus e Abraão em Gênesis 15 é singular. Vamos estudar um pouco mais sobre este pacto. Abra a sua bíblia no capítulo 15 do livro de Gênesis. Precisamos entender como foi este pacto, como Deus fez para realizá-lo e como este pacto nos liga com o sacrifício de Cristo na cruz.
Em Gênesis 15, Deus faz uma aliança única com Abraão. Abraão tem uma promessa (Gênesis 12.1-3), no entanto essa promessa ainda não tinha tido o seu efetivo cumprimento. Ele pede ao Senhor uma garantia que que a promessa iria se cumprir. É assim que começa a história deste pacto de sangue. O senhor Deus lhe pede uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos de três anos, além de uma rola e um pombinho. Abraão corta os animais ao meio, colocando as partes opostas uma à outra, como era tradição nos antigos pactos orientais, onde as partes do pacto passavam entre os pedaços dos animais sacrificados, simbolizando a seriedade absoluta da aliança.
Deus permitiu que um pesado sono caisse sobre Abraão, a ponto dele não conseguir passar entre as partes dos animais, (Gênesis 15.12). Neste episódio, Deus passa sozinho entre as partes dos animais, representado por um fogareiro esfumaçante e uma chama de fogo. O fogareiro esfumaçante representavam a aflição que os filhos de Abraão passariam no Egito nos dias da escravidão. A chama de fogo, representa o poder do Espírito Santo que liberta o pecador da sua aflição para possuir a terra prometida. Deus assume total responsabilidade pelo pacto, demonstrando que a sua realização dependia exclusivamente Dele.
E por que Deus passou duas vezes neste pacto? Deus sabia que Abraão nunca conseguiria ter a fé perfeita, assim como eu e você também não conseguimos. Lembre que num pacto, a parte que não conseguir cumprir deve morrer, se torna maldito por não cumprir. Deus assinou este pacto por Abraão e por Ele mesmo. Por isso passou duas vezes. Este ato único apontava diretamente para o sacrifício de Jesus na cruz, que cumpriria definitivamente esse pacto. Esses animais sacrificados simbolizam profeticamente Jesus Cristo, o Cordeiro perfeito que derramaria seu sangue na cruz, assumindo plenamente o peso da aliança divina pela redenção humana. Abrão simbolizou a humanidade toda perdida no pecado, e a tocha de fogo, representa o Espírito Santo de Deus, que nos capacita a viver a vida cristã.
Ao morrer na cruz do calvário, Cristo se tornou maldito em nosso lugar. Gálatas 3.13 enfatiza que “Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, como está escrito: “maldito todo aquele que for pendurando num madeiro”. Deus estava cumprindo a sua parte no pacto, sacrificando seu filho pela falha de Abraão e pelos nossos pecados. O ser humano, por si mesmo, é incapaz de ser puro. Isaías escreveu sobre isso, dizendo: “somos como o impuro, todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como um trapo imundo” (Isaías 64.6). No deserto, quando Deus apresentou através de Moisés a Lei, o povo teve orgulho de afirmar, diante de Deus, que eles se comprometiam a fazer tudo o que Ele hava ordenado (Êxodo 19.7-8). Nós sabemos que eles se comprometeram num dia, e pecaram no dia seguinte.
Aplicações práticas para hoje:
- Reconheça que Deus sempre toma a iniciativa em nosso relacionamento com Ele.
- Confie inteiramente na fidelidade de Deus, sabendo que Suas promessas nunca falham.
- Não busque ou faça mais rituais ou sacrifícios humanos, pois Cristo cumpriu definitivamente a exigência do pacto com seu próprio sangue.
Hoje, no cristianismo, não há mais necessidade de pactos de sangue porque Jesus já resolveu esta questão de forma plena e definitiva na cruz, oferecendo Seu próprio sangue como sacrifício perfeito.
“Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados.” – Hebreus 9.22
Para ser um cristão autêntico nestes dias…
3. Dependa exclusivamente da fidelidade de Deus (Gênesis 15.1-21)
Em Gênesis 15.4-6, Deus reafirma a promessa a Abraão de um descendente biológico, apesar de todas as circunstâncias contrárias. Abraão crê em Deus, e isso lhe é creditado como justiça. Deus também revela detalhes sobre a descendência de Abraão, assegurando que, após tempos difíceis, eles seriam libertos e receberiam a terra prometida (Gênesis 15.13-16;18).
O Senhor deixou claro para Abraão e para todas as gerações futuras, que manter uma aliança com ele é a garantia de suas promessas serão fielmente cumpridas. No caso de Abraão, quando ele preparou os animais para o pacto, as aves de rapina voavam, tentando atrapalhar o pacto. Essas aves represetam as dúvidas que invadem a nossa mente e tentam nos levar a duvidar da promessa de Deus e até mesmo, atrapalhar nossas conquistas, nossa salvação. Expulse todo pensamento de dúvida da sua mente.
Aplicações práticas:
- Creia firmemente nas promessas de Deus, mesmo quando tudo parecer contrário.
- Aguarde com paciência a realização das promessas divinas, mantendo sua fé viva.
- Compreenda que as promessas de Deus frequentemente envolvem processos que testam nossa fé antes do cumprimento.
“A fé verdadeira repousa na fidelidade das promessas de Deus, não nas circunstâncias.” – John Piper
Abraão viu Deus assumir toda a responsabilidade pela aliança, passando sozinho entre os animais. Hoje precisamos:
- Descansar na fidelidade de Deus, especialmente em tempos difíceis.
- Evitar o desespero, lembrando que a responsabilidade maior está nas mãos do Senhor.
“A fidelidade de Deus é uma rocha firme em meio às tempestades da vida.” – A.W. Tozer
Para ser um cristão autêntico nestes dias…
4. Viva em Liberdade sob a Graça Divina (Colossenses 2.12-15)
Jesus morreu para que você não precise morrer pelo seu pecado. Hoje você tem a oportunidade de corrigir seus erros, mas também fazer o certo. O arrependimento sincero diante da mesa da Ceia do Senhor, nos lembra do pacto consumado em nosso favor. O sacrifício de Cristo nos habilita para a vida eterna, mas também para nos dar uma vida abundante hoje, livre de qualquer marca ou traço de religiosidade, de regras e rudimentos, enfim uma vida livre, como filhos amados do Pai. Como cristãos do século XXI, a nossa realidade é a do Novo Testamento, da nova aliança e do pacto cumpridos através de Cristo em nosso favor. Somos redimidos, restaurados e já nos assentamos nos lugares celestiais por toda a eternidade. Quem está em Cristo, nova criatura é!
Em Colossenses 2.12-15, Paulo ensina que fomos sepultados e ressuscitados com Cristo (fato passado, já consumado), recebendo vida nova pela graça divina. Cristo cancelou nossa dívida espiritual, pregando-a na cruz e despojando as forças do mal, nos concedendo liberdade completa.
Nossa vitória sobre o pecado não vem de nossa perfeição, mas do sacrifício perfeito de Cristo, que cumpriu o pacto em nosso lugar,
fazendo-nos descendentes espirituais de Abraão por adoção em Jesus.
Aplicações práticas:
- Aceite e celebre a graça libertadora de Cristo, vivendo com liberdade espiritual. Não volte mais aos rudimentos religiosos do mundo, muito menos faça sacrifícios de tolos.
- Reconheça que sua vitória sobre o pecado é possível por meio da obra redentora de Cristo, não por esforços próprios.
- Viva uma vida dedicada a Cristo, desfrutando da liberdade e poder oferecidos pela graça divina.
“A graça de Cristo não é apenas perdão do pecado, mas o poder para vencê-lo diariamente.” – Dietrich Bonhoeffer
Hoje devemos:
- Aceitar plenamente o perdão oferecido por Jesus, abandonando sentimentos de culpa.
- Viver como pessoas livres e vitoriosas, não como escravos do pecado ou do passado.
- Pelo poder do Espírito Santo, viva uma vida justa, santa, livre de todo o domínio do pecado.
“A cruz de Cristo é o triunfo absoluto sobre tudo que nos aprisiona.” – John Stott
Conclusão
A morte de Jesus foi a consumação de um pacto eterno e irrevogável. Deus manteve Sua promessa feita a Abraão, mostrando Sua absoluta fidelidade e amor profundo pela humanidade. Hoje, somos chamados a viver comprometidos com este pacto. Que possamos responder com fé ativa, obediência constante e confiança inabalável na fidelidade e vitória de Deus em nossas vidas.
“Cristo é a garantia eterna de nossa salvação, selada pelo Seu próprio sangue.”
Que esta verdade nos transforme profundamente, tornando-nos cristãos autênticos, firmes e comprometidos com o Senhor em nosso contexto atual.
Roteiro para a Ceia do Senhor:
- Recordar que a Ceia é o memorial do pacto eterno plenamente realizado em Jesus Cristo.
- Leitura Bíblica: Mateus 26.26-28
- Agradecer pela fidelidade de Deus em cumprir o pacto através do sangue de Cristo.
- O pão e vinho (ou suco), representam o corpo e o sangue de Cristo.
- Os discípulos de Cristo são convidados à participação conjunta, celebrando a liberdade espiritual conquistada por Cristo.
- Oramos pedindo fortalecimento da fé e compromisso com Cristo.
Roteiro para as Células
- Abertura, quebra-gelo e louvor:
- Inicie com acolhimento caloroso, proponha uma dinâmica de compartilhamento breve sobre algo que Deus cumpriu em suas vida recentemente.
- Cantem juntos uma canção de gratidão ou fidelidade divina. Música sugerida: “Cristo levou sobre si“, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8-oBoaH5SEs
- Perguntas para reflexão:
- Quais áreas da sua vida você precisa confiar mais na fidelidade e nas promessas de Deus?
- Como você pode praticar viver diariamente sob a liberdade que Cristo conquistou na cruz? (Colossenses 2.12-15)
- Conclusão pelo líder:
- Líder, enfatize que as promessas de Deus são seguras e eternas. Reforce a importância de confiar plenamente na fidelidade divina e na liberdade conquistada por Cristo, vivendo com compromisso autêntico em meio às incertezas da pós-modernidade.
- Finalize com oração e intercessão pelo fortalecimento da fé do grupo.
Autor: Elton Melo
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